Constitucionalismo Digital

Mapeando a resposta constitucional aos desafios da tecnologia digital

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30899/dfj.v15i45.1219

Palavras-chave:

Constitucionalismo digital, constitucionalização, ICANN, termos de serviço, declarações de direitos na Internet

Resumo

“Constitucionalismo digital” é um conceito tentador para explicar a recente emergência de contramedidas constitucionais contra os desafios produzidos pela tecnologia digital. No entanto, a abordagem acadêmica existente não oferece uma imagem unitária dessa noção. Este artigo realiza uma revisão da literatura sobre o tema e  propõe uma nova sistematização do quadro teórico em torno do conceito do constitucionalismo digital. Argumenta-se que o constitucionalismo digital representa uma declinação do constitucionalismo moderno. Ele não identifica as respostas normativas aos desafios da tecnologia digital, mas sim incorpora o conjunto de princípios e valores que as informa e orienta. Em contrapartida, as respostas normativas emergentes podem ser consideradas como os componentes de um processo de constitucionalização do meio ambiente digital. À luz das definições adotadas, o artigo acaba por ilustrar uma nova forma de mapear as respostas constitucionais que emergiram até agora para enfrentar os desafios da tecnologia digital. Elas incluem não apenas  as ferramentas constitucionais que poderíamos definir como 'clássicas' no contexto do direito constitucional, tais como os textos jurídicos vinculantes produzidos na dimensão estadocêntrica, mas, curiosamente, também novos instrumentos, os quais se desenvolvem na dimensão transnacional de atores privados.

Biografia do Autor

Edoardo Celeste, School of Law and Government of Dublin City University

Edoardo Celeste é professor assistente de Direito, Tecnologia e Inovação na Faculdade de Direito e Governo da Dublin City University. Atualmente é o diretor de pesquisa do projeto "Cross-Border Data Protection Network" financiado pelo Irish Research Council e do UK Economic and Social Research Council, e do projeto "Digital Constitutionalism: In Search of a Content Governance Standard", financiado pelo Facebook Research. Ele também é investigador do projeto PRIVATT - Avaliando Atitudes Irlandesas em relação à Privacidade em Tempos de COVID19, financiado pela Science Foundation Ireland, e é um dos fundadores da Digital Constitutionalism Network.

Paulo Rená da Silva Santarém, Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Brasília

Doutorando em Direito e Mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília. Professor de Direito, Inovação e Tecnologia no Centro Universitário de Brasília. Líder no grupo de pesquisa Cultura Digital & Democracia. No Ministério da Justiça, foi gestor do processo de elaboração coletiva do Marco Civil da Internet no Brasil. Pesquisador do AqualtuneLAB e fundador do Instituto Beta: Internet & Democracia, ongs integrantes da Coalizão Direitos na Rede. Conselheiro Sênior de políticas públicas no Capítulo Brasil da Internet Society para os temas criptografia e responsabilidade de intermediários.

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Publicado

2022-03-22

Como Citar

Celeste, E., & da Silva Santarém, P. R. (2022). Constitucionalismo Digital: Mapeando a resposta constitucional aos desafios da tecnologia digital. Revista Brasileira De Direitos Fundamentais & Justiça, 15(45), 63–91. https://doi.org/10.30899/dfj.v15i45.1219