Constitucionalidade das Centrais de Protesto perante o direito fundamental à proteção de dados

Autores

  • Juliano Maranhão Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). São Paulo (SP)

DOI:

https://doi.org/10.30899/dfj.v24i53.1647

Palavras-chave:

Centrais de Protesto, Proteção de Dados, Tabeliães, Delegação Constitucional, Direito Notarial, Publicidade

Resumo

O artigo examina a constitucionalidade das Centrais de Protesto (CENPROT) no Brasil à luz da proteção de dados pessoais e da delegação constitucional dos tabeliães. Discute a digitalização dos serviços notariais e a atuação das centrais como plataformas de apoio tecnológico para tabeliães de protesto. O texto analisa a compatibilidade entre as atividades da CENPROT e a função pública dos tabeliães, destacando que a centralização não compromete a delegação constitucional, pois as centrais limitam-se a funções auxiliares e fáticas. Aborda-se também a conformidade das atividades da CENPROT com o direito fundamental à proteção de dados pessoais, considerando o princípio da finalidade e a necessidade de equilibrar a proteção ao crédito com a privacidade. A pesquisa utiliza análise legislativa, doutrinária e jurisprudencial para avaliar a adequação e proporcionalidade das disposições legais e regulamentares sobre a CENPROT. Conclui-se que as atividades das centrais não violam a delegação constitucional, sendo ferramentas legítimas para a eficiência do protesto na economia digital, nem desrespeitam o direito à proteção de dados, desde que respeitadas as balizas de necessidade e proporcionalidade.

Biografia do Autor

Juliano Maranhão, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP). São Paulo (SP)

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), Sócio do Maranhão & Menezes Advogados, Árbitro, Parecerista e Perito. Diretor da Associação Lawgorithm de Pesquisa em Inteligência Artificial e do Legal Grounds Institute. Pós-doutor pelo Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Urecht. Pesquisador associado do Center for Artificial Intelligence da USP (C4AI) e do Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial Recriando Ambientes (IARA). Pesquisador da Fundação Alexander von Humboldt, na Alemanha. Membro do Comitê Diretor da International Association for Artificial Intelligence and Law.

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Publicado

2026-02-05

Como Citar

Maranhão, J. (2026). Constitucionalidade das Centrais de Protesto perante o direito fundamental à proteção de dados. Revista Brasileira De Direitos Fundamentais & Justiça, 24(53). https://doi.org/10.30899/dfj.v24i53.1647